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Quem eu sou e por que escolhi o jornalismo…

Published 18/07/2012 - 0 Comments

Eu, em 2005, fazendo trabalho de faculdade na casa do namorado 🙂

Esse era o tema da redação que centenas, talvez milhares, de jornalistas recém-formados fizeram para se inscrever na seleção de trainee da Editora Abril em 2006. Quem me informou do processo foi o meu avô e lá fui eu escrever minha redação. Algum tempo depois, recebo um recado de voz no meu celular com informações sobre a entrevista em Belo Horizonte, minha redação estava entre as selecionadas para a próxima etapa. A pior entrevista da minha vida, começou com o entrevistador dizendo não entender porque o editor da Playboy escolheu um texto tão ruim como o meu… Claro que não passei para novas etapas e aprendi como nunca me portar quando for entrevistar alguém.

À minha redação, sobra este espaço, ou ficar eternamente largada numa pasta no meu PC. E você, o que acha, está assim tão ruim?

Uma menina-mulher, cheia de sonhos e ideias. Acho que assim me defino bem. Não poderia ser diferente, afinal, sou fruto de um sonho. Meus pais, ainda adolescentes e namorados sonhavam em ter uma filha chamada Mariana. Não sou exatamente a bonequinha que eles esperavam, tenho vontade própria, não gosto de salto alto nem de cabelo com gel.

Adoro ler. Com certeza a leitura foi a maior descoberta da minha vida. Leio tudo, desde livros de mil páginas até bula de remédio. Quando eu era bem pequena e vi meu irmão mais velho aprender a ler, lembro-me como eu gostaria de saber também o significado daqueles desenhos. Com seis anos fui alfabetizada. Como isso mudou a minha vida! Lia tudo em voz alta, até meus pais pedirem pelo amor de Deus para eu parar de ler todas as placar e outdoors que via na rua. Meu primeiro livro foi “Alice no país das maravilhas”, um presente inesquecível que meu avô me deu.

Ao meu avô eu devo muito de mim. Meus livros, a maneira crítica de ver o mundo, a eterna lembrança de que, apesar de minha imaginação ser infinita, meus pés estão firmes na terra. Ele me mostrou que eu posso tudo quanto quero e que, para isso, é importante estudar. Assim, estudei muito até hoje e pretendo estudar sempre mais. Meu avô ainda não se conforma que sua neta, que tinha as melhores notas da sala, não fez um curso superior de Direito ou Economia. Ele sempre me pergunta quando vou prestar vestibular para uma carreira de verdade.

Porém, o que ele não sabe é que ele foi o responsável pela minha escolha. Afinal, foi o meu avô quem me deu a mão no caminho para formação de minha personalidade. Foi ele quem me deu o primeiro artigo da Folha de São Paulo e a primeira matéria de Veja para ler, pedindo que escrevesse um comentário depois. Foi ele que me ensinou que as pessoas são iguais, independente da classe social, cor ou credo. Também me mostrou como é importante observar os fatos, analisar diferentes fontes e formar uma opinião, que não é simplesmente copiar o que se passa no Jornal Nacional. E eu tinha apenas 15 anos.

Fui pela cabeça dele e já tinha me decidido a fazer Direito. Pensava em depois, um dia, fazer também uma faculdade de História, uma paixão. Minha mãe, porém, percebeu que eu não estava feliz com aquela escolha e, como um anjo, me mostrou o que eu estava procurando. Em um café da manhã corrido, em uma terça-feira, ela falou: “Mariana, por que você não faz vestibular para jornalismo?”. E naquele momento uma luz se acendeu em minha mente. Era isso!

Procurei informações onde pude. Fui até as universidades de Belo Horizonte, conversei com professores, estudantes. Mandei e-mails para jornalistas e foi uma resposta do Afonso Romano de Sant’anna que me animou. O jornalismo não iria me desviar de meu sonho de ser escritora. Na verdade, seria um bom começo para a sua realização.

Escolhi a PUC Minas. Prestei vestibular e passei. Como minha mãe costuma dizer, “tudo o que eu quero eu consigo, se não fiz é porque não queria”. É como ela define o meu egoísmo. Sim, não tenho vergonha de dizer que sou egoísta. Só faço aquilo que realmente quero, aquilo que meu coração manda, pois, acredito que só assim sairá bem feito e todos ficarão felizes. Egoísmo é uma palavra feia, prefiro sinceridade. Essa palavra move o meu mundo.

Na faculdade me perdi e me descobri. Perdi o texto inocente, que era quase um grito de liberdade. Ganhei a minha “América”. Descobri que sou jornalista, penso jornalismo, vejo jornalismo, sinto jornalismo e é isso que eu sei fazer. Não me imagino fazendo outra coisa que não seja apurar, redigir, reportar, editar. De repente, vejo que vivo em um mundo onde tudo é notícia. Hoje, confio na minha capacidade de fazer jornalismo.

Comecei a trabalhar com jornalismo com 17 anos, no primeiro período do curso. No início, era apenas um estágio no jornal de Lagoa Santa (MG). De repente, as jornalistas saíram por falta de pagamento e os donos me pediram para continuar, disseram que me ajudariam. Resolvi tentar. Estava com um ano de curso e fazia da pauta até a revisão. Cometi erros, mas aprendi muito também. Estudava na faculdade e aprendia na prática. Esse começo só me deu mais entusiasmo para querer aprender sempre mais.

Mariana Pimenta, 2006

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